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Última Fileira crítica de cinema
Crítica · Drama

Ikiru

5,0/5

É notável perceber como mesmo em um filme da década de 1950, consegue transmitir angústias tão ligadas a vida moderna. Chega a ser angustiante perceber como nossa sociedade por mais que evolua no sentido de tecnologia, ciência e etc, as angústias humanas proporcionadas pelo sistema em que vivemos continuam os mesmos, geração a geração.

A angústia de vivermos preso ao trabalho, achando que estamos fazendo o melhor para nossa família, ao mesmo tempo que acabamos nos distanciando deles.

E assim como ilustrado por nosso personagem principal, as vezes pode demorar décadas para a ficha de “será que eu realmente vivi a vida?”.
Este personagem descobre que tem um câncer terminal e que lhe resta poucos meses de vida.
Assim então, o peso de uma vida que se passou basicamente por trás de uma mesa de uma repartição pública, bate em seus ombros e ele é tomado pela angústia.
E percebemos esse peso em parte pela fortíssima atuação de Takashi Shimura. Que trabalho magnífico!

Ele parte em uma jornada em busca de respostas, propósitos e qualquer coisa que lhe dê um alento. Acaba cruzando seu caminho com figuras distintas, que te proporcionam experiências distintas, seja nos prazeres da noite quanto no prazer de curtir as coisas mais simples da vida.
No fim, ele acaba tendo a epifania de que o melhor que ele pode fazer seria aquilo que estava ao alcance do seu trabalho. Ajudar pessoas de baixa renda que vão procurar o serviço público em busca de ajuda e são engolidas pela burocracia.

Assim, kanji, consegue não só ajudar toda uma comunidade, mas deixar sua marca em uma série de vidas.
Temos o fato melancólico de ter políticos se apropriando do trabalho dos outros, a máquina pública que por mais que tenha um salto feito pelo trabalha de uma pessoa, no fim acaba voltando a funcionar suas engrenagens da mesma forma de sempre.

Mas o filme, por mais melancólico que possa parecer, consegue graças ao seu ator principal e ao trabalho genial e humano de kurosawa transformar essa história em algo cativante e encantador. Ficamos felizes juntos com Kanji Watanabe, mesmo que em seu leito de morte, ao perceber que ao fim de sua vida ele conseguiu se realizar e ter um propósito realizado.

Filme lindo de kurosawa que já entrou na minha lista de melhores.

5,0/5
Nota do Última Fileira
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