Sirāt é um filme que me deixou bem dividido. Ao mesmo tempo que adoro algumas coisas aqui, detesto muito outras.
O começo do filme é ótimo, a construção do clima, ambientação, personagens e etc, tudo muito bem feito.
Tem muitos sub-textos interessantes aqui que gosto muito também, como por exemplo a dualidade em que os personagens são estrangeiros totalmente alienados em um local que vive um mundo de horrores, o que fala muito sobre a questão dos europeus naquele país.
Mas ao mesmo tempo, você vê que aqueles são personagens totalmente marginalizados e que estão em busca de um refúgio para sua dor e fuga de suas realidades e encontram isso na música “não é para entender, só dançar”. Tanto que temos não um, mas dois personagens amputados, e que um em certo momento, canta uma música sobre como desertou da guerra.
Tanto que essa relação com a música como válvula de escape, proporciona para mim a melhor cena do filme, que logo após a primeira tragédia os personagens resolvem em meio ao deserto, em um cenário que parece quase um pós vida, colocar música para deixar se levar e entrar quase em transe, com o personagem principal se entregando ao pouco aquele nirvana é uma cena belíssima.
A questão da busca por um objetivo, quase se passando por um road movie, em que a jornada se torna mais importante que a chegada é de certa forma utilizada aqui, mas para mim é também o ponto onde está o principal problema do filme.
A questão é que em certo momento o filme começa a entrar em uma espiral de desgraças, que por mais que sejam bem filmadas e bem feitas, em certo momento você começa a ficar quase anestesiado com como aquilo tudo vai acontecendo uma atrás da outra, e acaba perdendo o peso de tudo. Além disso, acho que o filme no momento que se propõe a ir por esse caminho, acaba tirando o próprio peso da jornada do personagem, pois depois de tantas tragédias, não faz para mim muito sentido continuar por uma busca por alguém que foi embora por vontade própria.
No fim, temos um filme tecnicamente muito bom, visuais incríveis e destaque para todo o trabalho de som aqui que é incrível, mas acaba meio que se perdendo no fim.
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