Pular para o conteúdo
Última Fileira crítica de cinema
Crítica · Comédia, Romance

The Worst Person in the World

4,5/5

Em certo momento do filme, uma personagem chega em Julie e questiona sobre a questão de maternidade, de quando ela irá ter filhos e etc. Ela desconversa e logo a personagem acaba falando sobre como é difícil para essa geração pois está constantemente sendo pressionada por todos. Não percebendo a ironia do fato de ela mesmo ter feito isso.
E Julie passa por isso constantemente, mas quando não é sobre isso, é questionada sobre seu trabalho, seu futuro, o que quer da vida e etc. É isso é um gatilho imenso para ela que se sente cada vez mais perdida, mais sem noção do que vai ser seu futuro.
Julie é uma pessoa que por mais que tenha suas particularidades, é relativamente comum para sua geração. Uma geração que ao mesmo tempo que tem coisas muito acessíveis é fáceis, por outro lado tem dificuldade em coisas simples, desde se apegar, comprometimento, demonstração de afeto e etc.
É uma persogem bem real, muito bem escrita, que mesmo quando identificamos seus defeitos, como seu claro egoísmo, ainda torcemos para ela. E isso também se deve ao excelente trabalho da atriz que dá vida a Julie. Que trabalho maravilhoso, e o diretor sabe aproveitar isso muito bem, com constantes closes em seu rosto.
Julie passa por um relacionamento com uma pessoa mais velha, e logo essa diferença de idade vai criando um peso ainda maior em seu sentimento de “quem eu sou?”. Afinal, seu parceiro já tem seus gostos definidos, carreira bem sucedida e tudo o que ela busca incansavelmente mas não consegue encontrar. E ela acredita que isso faz com que ela não consiga sair do lugar, ficando presa neste ciclo de dúvidas enquanto o tempo passa.
E é neste momento que temos uma das cenas mais emblemáticas do filme, com um “se eu pudesse parar o tempo, o que eu faria?”.
Julie encontra alguém mais próximo de sua idade e aí entra um outro problema neste tipo de relacionamento, entre dois jovens. Normalmente temos um começo explosivo e intenso, mas logo vem a apatia, principalmente quando ambas as partes são muito parecidas. Não se tem no relacionamento algo que incentive o desenvolvimento e se perde novamente a perspectiva de futuro e se entra em um ciclo de dúvidas.
O filme vai para um lado bem melodramático, podendo até parecer meio forçado, tentando tirar a lágrima ao máximo do espectador, mas não vejo tanto problema nisto, acredito que foi importante no desenvolvimento de Julie. Afinal, a perda é um processo importante no amadurecimento.
No fim, Julie muda novamente, desta vez parece estar mais decidida, mais firme e madura. Para mim, o ponto principal é que ela parou de buscar a resolução de seus problemas nos outros, e encontrou o que ela buscava, nela mesmo. E isso é para mim o ponto principal do filme, só somos realmente felizes e realizados quando descobrimos isso em nós mesmos e não nos outros. É claro que uma outra pessoa pode somar e ajudar muito, mas não pode nunca ser o fator principal da equação.

4,5/5
Nota do Última Fileira
Compartilhe esta crítica
X Facebook Bluesky

Comentários

Leia também

Ver todas as críticas
Críticas

Thesis – Morte ao Vivo 1996

4,0

O quão fascinados somos como sociedade pela morte e violência? Tesis de Alejandro Amenábar, questiona isso…

Críticas

The Last House 2026

2,5

Um filme com um bom potencial. A premissa é interessante, é tem uma clara e boa…

Críticas

Disclosure Day 2026

2,0

Logo após The Fabelmans, que é facilmente um dos melhores filmes de sua carreira, um projeto…