Recentemente tivemos a bombástica notícia que a Netflix adquiriu a Warner, e assistindo a este filme, me recordei bastante das atitudes do atual CEO da Warner, David Zaslav.
Zaslav foi o executivo responsável por levar a Warner ao patamar atual. Ele é quase uma caricatura do CEO sem escrúpulos que só pensa em números.
Uma história sua bem conhecida é que quando assumiu seu cargo, perguntou para a equipe, o por que fazer um novo filme do Clint Eastwood, sendo que seu filme anterior (Cry macho), não tinha dado o devido retorno. A resposta foi por que era em respeito aos mais de 50 anos de Clint trabalhando em conjunto com o estúdio, além de seus filmes custarem pouco e ele ser sempre pontual com seus prazos.
David Zaslav então respondeu que eles não devem nada a ninguém.
Esse é basicamente um resumo de No Other Choice, novo filme de Park Chan-wook.
Aqui vemos um começo de “família perfeita”, com o personagem principal, Man-su, com uma casa dos sonhos, esposa, filhos e dois cachorros, quase o famoso “comercial de margarina”. Mas tudo muda de forma vertiginosamente, com o fato da empresa em que trabalha, uma fábrica de papel, sendo comprada por uma outra americana, e logo como primeira ação, vemos os executivos solicitando uma lista de pessoas para serem demitidas.
Mas logo, Man-su descobre que também está na lista de cortes de custos. E seu mundo começa a desmoronar. Principalmente quando seu plano de que em poucos meses já ser contratado por alguma outra empresa dá errado.
Além das décadas de serviço e o famoso “vestir a camisa da empresa”, não servem para nada, quando ele se tornou apenas mais um número em uma planilha, sua experiência também é pouco levada em conta e ele começa a praticamente se humilhar nas entrevistas.
Com os meses passando e nada de uma oportunidade surgir, Man-su vê tudo o que conquistou sendo perdido, sua esposa começa a vender seus bens, anuncia sua casa para venda, cancela aulas de esporte e etc. E o mais absurdo, se livrar dos cachorros!
Ao saber que existe uma vaga de supervisor em uma das outra fábricas de papel da cidade, Man-su decide levar aquilo que um dos executivos lhe disse antes de ser demitido como seu novo mantra “No Other Choice”, ou seja, ele não tem outra escolha a não ser se livrar dos outros possíveis concorrentes a vaga.
E aqui temos os melhores momentos do filme, pois Man-su não é um assassino, nem mesmo um homem violento, ele é apenas um homem desesperado.
E então o filme entra em uma espécie de comédia de absurdos, que Park Chan-wook sabe levar muito bem. Um homem engolido pelo sistema que o esmaga e o leva aos extremos.
Gosto muito de todo esse processo, a construção disso e do final. De Park Chan-wook não devemos esperar nada diferente de uma direção firme e muito bem feita.
Lee Byung-hun também entrega uma atuação excelente (ele ficou muito conhecido por Round Six, mas já gostava de seu trabalho desde a primeira vez que o vi no ótimo “I Saw the Devil”).
No fim, o que pesa para que este não seja realmente um dos melhores filmes do ano para mim, é o seu meio. Com um desenvolvimento em seu segundo ato, que acaba ficando moroso focando em muitos pontos não tão interessantes como a história de nosso protagonista, seja na esposa e seus colegas de trabalho, sua filha, vizinhos e por aí vai. Vejo que muita coisa é adicionada mas que realmente não tem um peso na história.
Mas ainda assim temos um grande trabalho daqueles que é um dos melhores cineastas recentes.
Leia também
Ver todas as críticasThesis – Morte ao Vivo 1996
O quão fascinados somos como sociedade pela morte e violência? Tesis de Alejandro Amenábar, questiona isso…
The Last House 2026
Um filme com um bom potencial. A premissa é interessante, é tem uma clara e boa…
Parque da Punição (Punishment park) 1971
Disclosure Day 2026
Logo após The Fabelmans, que é facilmente um dos melhores filmes de sua carreira, um projeto…






Comentários