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Última Fileira crítica de cinema
Crítica · Terror

Midsommar

3,0/5

O melhor de Midsommar é seu começo, toda a ambientação é muito bem construída. Ari Aster cria um ambiente de tensão constante muito bem feito, destaque principalmente para a trilha que gosto bastante.
A ideia de fazer um filme de terror que se passa quase que inteiramente de dia, em plena luz do sol e também sempre em ambientes abertos, sem os famosos cantos escuros do terror é algo louvável.
Toda a ambientação e construção do folclore daquela comunidade também é muito bem construída, você quase começa a acreditar que é algo que realmente poderia existir ainda nos dias de hoje.
Mas a medida que seu filme tem a virada (Cena de suicídio dos idosos) em tema e notamos o quanto aquilo vai dar errado, Ari Aster parece perder o controle e perde o foco no que realmente interessa: Seus personagens.
E esse é o calcanhar de Aquiles de Midsommar para mim, pois por mais que eu entenda a personagem de Florence Pugh (inclusive melhor atuação do filme), e toda a situação que ela está passando, seja o luto e a dor da perda, o fato de ter medo de perder o namorado que é basicamente a única pessoa que sobrou em sua vida e por isso ela aceita tudo… Nada disso me faz apegar a personagem, isso ela sendo a melhor personagem do filme, todos os outros são completamente descartáveis, você não sente o peso de nenhuma morte de tantas que acontecem no filme.
Temos o clichê do homem que morre por que mesmo com tudo acontecendo de errado ele só pensa em transar, do casal que só serve para morrer primeiro, do que coloca a curiosidade acima da segurança e por aí vai. Chegou um momento que achei que estava vendo um slasher qualquer em que os jovens vão morrendo aos poucos e você não liga para eles.
E aí temos o papel de Christian, o namorado de Dani e que aqui deveria ser um dos principais, e por mais que entenda a ideia de fazer um cara que é um babaca covarde que não consegue fazer nada de bom para a mulher dele, nem mesmo deixá-la (seria a melhor coisa que ele poderia fazer para ela) esbarramos em Jack Reynor fazendo aquela que é uma das piores atuações que já vi, ele não sabe se faz cara de mal, cara de chorão, de indiferente e o que quer que seja, todas péssimas, um boneco de posto atuaria melhor. A ideia era ter de Christian pelo personagem, mas eu só tive raiva dele pela atuação mesmo.
Chegamos então a Dani, que novamente, por mais que entenda toda a sua trajetória, como ela se desenvolve e etc, não poderia ser mais indiferente. É interessante ela começar a se sentir cada vez mais acolhida por aquela comunidade e se imaginar como parte deles (ela literalmente alucina que está criando raízes no local), sendo essa o que eu mais gosto na história da personagem. Mas acho ela muito mal construída, não tem profundidade nenhuma, é como se ela se resumisse ao trauma e suas consequências. E entendo que seu trauma é horrível e deve ser definidor na vida das pessoas, mas é basicamente como se ela fosse só isso, um trauma ambulante esperando ser acolhida, sem ter nenhuma outra história, interesses, desejos, outros sentimentos, nada (novamente, não estou diminuindo seu trauma e sim exponenciando a falta de profundidade ao criar uma personagem que por mais que tenha um ponto definidor em sua vida, ainda é um ser humano além disso). Se ao invés dela terminar acolhida pela comunidade, oferecendo o namorado para sacrifício e sorrindo por isso, nós descobríssemos que ela também ia morrer no sacrifício final, não ia fazer diferença alguma, pois como disse, personagens vazios e mortes sem peso, são o que destroem o filme. E mesmo que o final tenha cenas belíssimas e tudo muito bem filmado, não sustenta o filme sozinho.
Hereditário está entre os meus filmes de terror favoritos de todos os tempos, mas até agora parece que esse foi o único “tiro certo” de Ari Aster, o que é uma pena, queria muito ver um outro trabalho seu nesse mesmo nível.

3,0/5
Nota do Última Fileira
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