Alguns diretores tem marcas registradas, seja algumas coisas mais simples mas que sempre identificamos sendo daquele diretor como os Contra-plongée do Tarantino, ou o Slow-Motion do Snyder. já outros tem como marca registrada um estilo por completo, como o Tim Burton com o Gótico, ou o Wes Anderson com seus visuais simétricos e super coloridos.
Não vejo problema nisso, acho interessante um realizador ter sua marca e a gente conseguir assistir a um filme e já saber que é dele, é como ouvir os primeiros acordes de uma música e já saber de quem é.
o Problema é quando isso se torna uma espécie de maldição, e por mais que o filme seja interessante, se nota que o diretor fica preso em sua marca e isso fica algo cansativo, muitas vezes, algo que era um ponto de criatividade e inventividade, se transforma em algo que acaba ficando repetitivo (pra mim Wes Anderson esta exatamente nesse momento, onde criatividade se tornou repetitividade).
Chegamos então em Yorgos Lanthimos, que vem com sua marca criar o desconforto, o causa incômodo, a estranheza e etc, e isso vai desde a forma como filma, utilizando ângulos e uma fotografia aliada a lentes que distorcem o que é filmado para poder alcançar esse objetivo da estranheza.
Em Bugonia, temos uma história interessante que faz críticas as pessoas (cada vez mais comuns no nosso dia a dia) que se deixam levar por teorias das conspiração e vão se afundando cada vez mais, ao chegar ao ponto que divulgar defender e supostamente “revelar a verdade” é o seu único objetivo de vida, aqui vivido muito bem pelo personagem de Jesse Plemons.
Ao acreditar que uma famosa empresária é um Alien e que quer destruir a humanidade, ele sequestra ela, com ajuda de seu primo (uma outra vítima de suas teorias), e a mantem em cativeiro, com o objetivo de ela revelar a verdade para eles e levar eles com ela para a sua nave, salvando eles do fim do mundo.
Temos ai os melhores momentos do filme, com aquela que é para mim uma das melhores atuações da carreira de Emma Stone, que aqui consegue entregar muito só com seus olhares expressivos (que parece que conseguiram ainda mais destaque devido aos seus cabelos raspados), expressões e também a forma com que fala, imprimindo um tom de fala que muitas vezes parece ser firma mas que esconde um medo e desespero por trás. Mas não só em exporessoes e fala, mas Emma Stone também entrega muito na fisicalidade.
Jesse Plemons não fica para trás no quesito atuação e entrega um personagem que ao mesmo tempo que é inseguro de si mesmo, tem plenas convicções naquilo que acredita, e está disposto a ir até o fim.
E todo o trabalho de “marca registrada” do Yorgos Lanthimos está aqui o tempo todo, seja com o comportamento dos personagens, com ângulos e uma fotografia e direção de arte que sempre parece estar buscando fazer os personagens se afundarem e se perderem em um cenário.
E então chegamos ao fim do filme, o que pra mim é o ponto que estraga o filme, e não, não estou falando que não gosto da confirmação de que ela era um Alien, pelo contrário, acho a ideia interessante, mas sim a forma com que foi feita, quando a forma supera a história, quando a “marca registrada”, ou aqui no caso do Yorgos Lanthimos, a necessidade de fazer tudo da forma mais estranha possível, acaba deixando tudo extremamente caricato, tirando todo o peso de todo o resto do filme, Lanthimos transforma um filme que era uma boa crítica aos conspiracionistas, red pills (a castração química para não deixar se “encantar” e etc), e várias maluquices do dia de hoje, em uma piada. O que poderia ser uma sátira interessante, cai por terra nos minutos finais, pois temos uma escolha criativa de filmar um final de uma forma que parece ter saído de uma esquete de comédia dos anos 80.
Gosto do roteiro (que por sinal não é do Lanthimos), de como algumas coisas são filmadas, atuações de alto nível, mas um final que é sabotado pelo próprio diretor.
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