Um filme sem protagonista, sem ninguém para torcer. De um lado um empresário que fica na dúvida entre salvar uma criança inocente ou perder sua fortuna, de outro um sequestrador tomado por ódio, vingança e arrependimento, gerado pelas injustiças sociais que lhe são apresentadas sempre que olha pela janela de seu quarto.
E ainda temos a polícia, que aqui, chega ao ponto de fazer mais uma vida se perder pois acredita que a única justiça para aquele que perseguem, é a morte (sendo ela justa ou não).
Um filme em que Kurosawa apresenta um domínio completo de cada plano. O uso de luz e sombra em sua fotografia em preto e branco, chega a ser assombroso de tão bom. Isso daqui, isso, e isso, são coisas de outro mundo.
Mesmo boa parte do filme se passando em um único cenário, com muitas cenas se baseando em diálogos, como uma cena de teatro, Kurosawa ainda consegue fazer com uma composição incrível de cenas e o que resta é só admirar toda essa qualidade técnica.
Gosto muito da parte de investigação, o roteiro é muito bom em construir toda um senso de participação em que nos sentimos investigando tudo junto com a polícia e comemoramos cada passo a mais dado.
P.s: Bos’n melhor personagem.
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