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Última Fileira crítica de cinema
Crítica · Drama

Le Bonheur – As Duas Faces da Felicidade

5,0/5

O que Agnès Varda faz neste filme é genial. Temos um filme quase lúdico, colorido, de uma família feliz e nos moldes tradicionais, com marido, esposa e dois filhos, quase um comercial de margarina.
Tudo começa a virar quando o homem da família se apaixona por uma outra mulher. Temos aquele primeiro momento de explosão de sentimentos de todo começo de relacionamento, sexo, vontade crescente de ficar junto e tudo mais, sua esposa inclusive nota que ele esta mais feliz. Mas o homem em questão é sincero, e deixa sempre claro, que mesmo o sexo com a amante sendo melhor, ele ainda ama a esposa e sua família.
Desta forma, parece que o filme vai encaminhar para um lado de relacionamento aberto ou algo do tipo, principalmente por que assim que ele faz a revelação para sua esposa, essa dar a entender que aceita a situação, e para ela, o que importa é a felicidade do marido. E ele não poderia ser mais feliz com suas duas mulheres.
E então que temos a virada do filme, com uma tragédia que muda tudo. Temos então a amante se tornando a esposa oficial, e que vai aos poucos absorvendo aquele mundo, se tornando mãe das crianças, absorvendo os hábitos, roupas e etc, incluindo os passeios em família no parque.
Ai que vemos a bela crítica de Agnès Varda, afinal, tudo foi muito simples para aquele homem, e na sociedade que vivemos, isso é o que mais acontece, mulheres são simplesmente substituídas como se nada tivesse acontecido, e o importante é felicidade do homem, hora, se ele encontrou outra que o faz mais feliz, todo o direito dele de ficar com ela.
O filme é de 1965, mas até hoje segue válido. Se fosse o contrário, do que essa mulher seria tachada…
É o segundo filme da Varda que assisto (O primeiro foi Cléo) e é impressionante o seu trabalho como cineasta. Planos belíssimos e usos incríveis da câmera.

5,0/5
Nota do Última Fileira
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