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Última Fileira crítica de cinema
Crítica · Terror

Mary Shelley’s Frankenstein

4,5/5

Trazer um morto de volta a vida, utilizando pedaços de outros mortos para complementar o corpo, pode parecer algo tenebroso e inaceitável, mas e se tratasse de alguém que amamos?

Eu consigo entender perfeitamente o por que esse filme é praticamente esquecido e foi arrasado pela crítica quando saiu, imaginar a recepção do público para isso em 1994 é já prever que ou era um clássico instantâneo ou seria jogado aos porcos, e infelizmente aconteceu a segunda opção. Digo infelizmente pois adorei o Filme.
Kenneth Branagh aposta forte em um estilo próprio e único, que pode ser confundido até mesmo com meio galhofa algumas vezes, mas consigo ver todo o controle que ele tem de tudo que acontece, em uma decupagem maravilhosa, com cenas lindíssimas.

O filme usa muito de exageros, desde as atuações que hora parecem estar recitando suas falas em um teatro (reforçados por ambiente e iluminação que lembram um palco), quanto dos movimentos de câmera (que está praticamente sempre em movimento), para uma história que se trata justamente de excessos e exageros e que não poderia ser mais teatral.

Um exemplo é a cena de criação do monstro, Kenneth Branagh corre para cima e para baixo sem camisa, exibindo seu físico enquanto cria o monstro em uma atuação e direção de cena que parece que a qualquer momento ele vai começar a cantar e o filme virar um musical, maravilhoso.

Mas no geral, uma das melhores adaptações do conto original, e o destaque aqui fica para mim para o monstro, vivido pelo Robert De Niro, aqui, ao contrário de outras adaptações (estou maratonando pois acabei de ler o livro original) o mostro tem o devido destaque e principalmente o peso que necessita para a história.

Desde questões filosóficas, de por que estar vivo, quem eu sou, qual meu propósito, até questões sobre rejeição, que vão desde a rejeição paterna até a rejeição de seu semelhante, criando um monstro que diferente de outras adaptações, não é unidimensional, mas complexo, dominado por sentimentos, seja alegria, tristeza e principalmente raiva. Tudo isso apoiado por um trabalho magistral do sempre ótimo Robert De Niro.

Aqui, temos na grande diferença do livro a criação da “noiva do frankenstein” que não chegou a ser finalizada no livro original, mas que de todas as mudanças, é a que mais me agradou, a forma como termina, com ela descobrindo o que aconteceu (outra atuação magnífica) e o que seu amado fez com ela e dando fim naquilo e unindo em desespero pela primeira vez criador e criatura é ótima.
Enfim, um grande filme que deveria ter um reconhecimento maior. Por mais filmes que não tem medo de serem exagerados…

4,5/5
Nota do Última Fileira
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