Existem diversos casos criminais que são tratados com um espetáculo midiático, muita das vezes transformando o criminoso praticamente em uma celebridade. É o que aconteceu com o caso original em que o filme se baseia.
Mas afinal, e o que acontece depois, como se dá a vida dessas pessoas depois de que tudo esse espetáculo passa?
Essa é para mim a premissa principal tratada no filme. Julianne Moore cria uma personagem manipuladora, e que acredita que não tem nada de errado no que fez, e por isso, quer que seja feito um filme contanto sua história para reforçar isso.
Mas o grande problema é a vítima, aqui vivido de forma magistral por Charles Melton (não conhecia seu trabalho, mas tem muito potencial), um homem que ficou preso em sua adolescência, nunca realmente amadureceu. Rodeado por pessoas que tratam a situação como normal, e que o que ele passou não foi nada demais (Na sociedade que vivemos, muitos até devem ter comemorado com ele o fato de o jovem ter ficado com uma mulher mais velha), ele viveu uma vida vazia, sem realmente ter vivido de verdade.
A metáfora da borboleta saindo do seu casulo, pode parecer obvia, mas encaixa perfeitamente não só com o momento que ele está vivendo, mas também com seu ambiente, seus filhos estão se formando e saindo de casa, amadurecendo, passando pelo o que ele nunca passou.
O Grande destaque do filme para mim vai para Natalie Portman, que consegue criar uma personagem que é uma força e que vai absorvendo a alma de Julianne Moore, o diretor Todd Haynes, utiliza constantemente planos em que ambas funcionam como um reflexo, como se ambas fossem imagem e semelhança uma da outra.
Aos poucos vemos até mesmo o seu figurino se tornar quase idêntico. Além de cabelos e maquiagem (A cena da maquiagem também merece destaque, cria uma tensão crescente e que mistura uma dúvida de se elas vão se bater ou se beijarem).
No fim, pelo menos para mim a mensagem que se passa é que a personagem da Natalie Portman se tornou por completo na Gracie, e não só interpreta ela no filme que está gravando, mas vive o que ela viveu, o desejo em um adolescente. Ideia essa, reforça pela cena dela na turma de teatro em que diz que não consegue separar o desejo e prazer de trabalho em uma cena de sexo. E logo no fim, ela pede ao diretor para fazer mais uma vez uma cena que por mais que não seja de sexo em si, já demonstra todo o erotismo dos dois, e ela agora está conectada, e demonstra esse prazer.
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