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Última Fileira crítica de cinema
Crítica · Terror

Sinners

2,0/5

Sinto que Ryan Coogler tem muito a dizer, mas não sabe como…
E não é nem questão de gostar do trabalho dele ou não, eu adoro o Creed, mas aqui ele se perde totalmente.

Em Sinners, temos um bom começo, até promissor, mas que passa a ideia de que o diretor queria juntar tudo o que já teve de ideias, seja de ação, terror, critica social, comentários sobre racismo e etc, mas no fim, tudo fica superficial e mal feito.

Na parte política, o que o filme tem de melhor, está na cena da musica principal do Samuel, que faz um histórico do poder da música e arte no geral no movimento negro. Aqui ele acerta bem, mas infelizmente para mim não compensa o resto do filme.

Michael B. Jordan está bem como sempre, mas é sabotado pela montagem do filme que para mim é pavorosa, sério, acho que o Ryan Coogler foi infectado pelo vírus da Marvel após Pantera negra, por que não é possível, não se tem um momento em que o personagem consegue simplesmente atuar para a câmera, sem que tivessem 359 cortes por minuto. Se você tem alguma dúvida, volte para o filme e prestem atenção na cena que começa por volta dos 11 minutos onde eles param para pegar um caminhão escondido e encontram uma cobra, além de conversarem sobre os próximos passos. Era para ser um simples diálogo, mas tem tantos cortes por minuto que me lembrou aquela famigerada cena do Liam Neeson pulando uma cerca e virou meme na internet. E isso não é nem uma cena de ação, que aí sim, são pavorosas.

A ideia de um plot twist estilo um drink no inferno é interessante, mas aqui completamente desperdiçada. Tem todo um contexto que poderia ser genial com a ideia de que o Vampiro vivido pelo Jack O’Connell (que também está muito bem), está interessado em pegar o talento do jovem artista para ele, e ai entra todo um contexto de como os brancos se apoderam da arte e cultura negra, mas novamente isso é muito mal desenvolvido e não vemos mais nenhum comentário nem nada, fica só uma frase jogada, que depois é substituída pela ação desenfreada.

Ainda temos o Vilão que mata dezenas de pessoas que sairam da festa em minutos, mas para matar um dos principais, tem que fazer um discurso antes, para dar tempo de o herói chegar e matar ele antes.
Um personagem que não importa o peso das situações que estejam passando, tem que soltar uma piadinha infame a cada 5 minutos (influência marvel de novo?) e para fechar ainda temos uma família asiática, que tenho certeza que os realizadores pensaram “Ah, temos que colocar um asiático também, porque eles também sofreram racismo”.

E com essas ideias jogadas do Ryan Coogler, temos o tiroteio final que simplesmente não faz sentido nenhum, não conversa com o resto da trama, até a forma como é filmado não faz muito sentido, totalmente deslocado, fica como se o Ryan Coogler tivesse pensado “Temos que dar um jeito de colocar ele matando uma galera da kkk”, e jogou isso no fim do filme.

E para fechar com chave de ouro, temos aquela que talvez já possa ser considerada a pior cena pós crédito da história. Por que simplesmente um dos personagem principais morreu por que não queria se transformar em vampiro, com toda uma luta e outras mortes, com outros personagens pedindo para serem mortos antes que se transformassem e etc, tudo para falar como é melhor a morte do que se tornar aquele tipo de monstro. Ai chega a cena final e temos o personagem chegando como se fosse super fodão e falando que foi ótimo ficar daquele jeito, e deixando a entender que queria que o irmão se transformasse também, quase com o diretor mostrando “olha como ele ficou foda como vampiro” e jogando no lixo tudo o que o filme mostrou.
Enfim, a decepção foi grande, fui super na esperança de gostar, pessoas me indicaram bastante esse filme como um dos melhores do ano, mas pelo menos para mim, não desceu…

2,0/5
Nota do Última Fileira
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