Delphine é a representação da angústia. A angústia de viver rodeado de pessoas e mesmo assim se sentir sozinha o tempo todo.
Muitas dessas pessoas tentam se conectar com ela, mas ela se sente desconexa do mundo, fora de sintonia, que não só não agrada aquelas pessoas, como elas não lhe convém. E por mais lotada que esteja a praia que frequenta, a solidão lhe persegue e é sua única companheira.
Em busca de um perfil de pessoa perfeita que criou em sua cabeça, ela acaba literalmente fugindo de qualquer situação que não lhe agrade, sem nunca dar chance ao acaso. E quando finalmente isso acontece, o acaso lhe mostra o melhor caminho.
Em busca de um sinal do universo, lhe dando o aval para continuar e que aquela é sua chance de conexão e felicidade, ela se apega ao raio verde, quase um item místico lhe dando sua benção.
Rohmer inclusive filma esse raio verde do por do sol, quase que destoando de todo filme, como se não fosse o mesmo lugar, praticamente como se fosse a idealização que Delphine criou, de como seria aquele momento mágico.
Acredito que muita gente deve se identificar com a personagem, e mesmo que não em definitivo “esse(a) sou eu”, mas pelo menos em um momento da vida, é comum termos passado por situação semelhante, de se sentir desconexos do ambiente, e a angústia que isso causa. Mas de qualquer forma, esse é justamente o ponto fraco do filme para mim, Rohmer, foca muito na construção dessa característica da personagem, e acaba ficando repetitivo, até incomodando um pouco, passando da identificação para simplesmente achar aquela personagem chata.
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