Um filme sobre a incapacidade de continuar a viver com a dúvida. A dúvida que corroí e que guia sua vida.
Com certeza ter alguém que ama desaparecido deve ser uma das piores dores do mundo, pois a incerteza vai pairar nossa vida eternamente. Perder alguém para a morte é algo horrível, mas é palpável, você sabe o que aconteceu, mesmo que a dor seja eterna, ela é aceitável.
No desaparecimento, ficamos desamparados e sem rumo “será que ela se foi?”, “existe alguma possibilidade dela ainda estar viva?”.
E é com essa incerteza que o Rex, protagonista de The Vanishing tem que viver (ou tentar viver). E por mais que ele tente seguir em frente, até mesmo arrumando outra namorada, sua vida está em torno dessa dúvida.
E é interessante como o diretor na cena em que a nova namorada de Rex vai embora, usa constantemente o enquadramento de forma que a foto de Saskia esteja sempre entre o casal, ou pelo menos ao fundo, marcando como a presença de Saskia ainda é constante e mesmo depois de tanto tempo ela ainda está entre eles.
Gosto muito de como o filme tem um constante clima de tensão e apreensão. Ficamos sempre na expectativa que algo ruim vai acontecer. E ai que entra a genialidade do filme para mim, pois o filme tem um dos finais mais tensos e desesperadores que já vi, mas não tem uma morte sendo mostrada diretamente, não tem violência, sangue, nada, apenas uma cena muito tensa sendo construída com maestria.
Destaque para Raymond, o vilão que é frio e calculista de uma forma que dá arrepios. Aqui não temos um psicopata que mata por puro prazer. Ele mata apenas pelo fato de provar para si mesmo que consegue fazer isso, sem remorsos e sem sentimentos.
O Plano em que Rex esta no posto onde tudo aconteceu, mas dessa vez com o seu algoz e toma sua decisão final, é um dos melhores planos que vi em muito tempo. Demonstra como ao tomar sua decisão, Rex já está morto e enterrado. Veja aqui.
Destaque também para as atuações (todo o elenco está no tom correto) e para a trilha sonora, que ajuda a manter todo o clima do filme.
Por fim, temos toda a questão dos “Círculos Dourados” em que se cria toda uma analogia de como eles já estavam destinado a isso, a ficarem presos em seus círculos e logo se encontrarem com desde o começo com planos que remetem a isso, desde o formato do túnel onde ficam presos sem gasolina, e dos carros vindo em sua direção, aos faróis do carro do assassino, dois círculos em que iluminam Rex com uma luz dourada. Para no fim, termos a imagem final de Rex e Saskia em uma reportagem de jornal, ambos em um círculo, definindo o destino final do casal.
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