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Última Fileira crítica de cinema
Crítica

Revenge

3,0/5 Nota da Última Fileira
Ano
2017
Revenge

“Rape revenge” realmente não é um gênero que me agrada, a ideia de usar estupro como plot narrativo não é algo que eu vejo com bons olhos. Por mais que a intensão possa ser boa (ver estupradores se fud…) normalmente não funciona assim e acabamos tendo um monte de filmes feitos por homens que exploram esse momento tão deplorável e horrível que mulheres podem passar.
Já aqui em Revenge, temos uma possível subversão disso, pois temos uma mulher na direção. E Coralie Fargeat se mostra decidida a explorar justamente aquilo que temos em comum nesse gênero e tentar explorar isso, mas não apenas mostrar por mostrar, assim como no início do filme que mostra e explora constantemente o corpo de sua atriz principal. Mas aqui a câmera foca em não só mostrar como ela é sim uma mulher bonita, mas como aqueles homens a enxergam.
O filme começa com algumas analogias interessantes, sobre insetos e etc. Mas meio que tudo se perde do meio para o fim.
O trabalho da diretora é competente em vários aspectos, a ideia de filmar no deserto com planos abertos, mostrando todo aquele vazio é bem interessante, mas o filme se perde para o fim e mesmo que as cenas de mortes e gore sejam até divertidas, a diretora foca apenas nisso e o que se tinha de melhor no começo não vemos mais.
Eu sempre consigo abraçar os absurdos de filmes em que personagens aguentam tudo e com alguns poucos curativos ou mesmo um pequeno cochilo saem renovados, mas aqui isso vai para um outro nível que meio que me tirou do filme. A cena da queda é muito bonita, mas a personagem sair “inteira” dali é um dos maiores absurdos que já superando os filmes de brucutus contra um exercito dos anos 80.
Temos toda a analogia da fenix, com o renascimento das cinzas e a “tatuagem”, que é legal, mas o filme peca muito em pegar uma patricinha e transformar em uma versão feminina do John McClane (se ferra muito mas consegue ainda assim matar vários inimigos, mesmo em desvantagem), mas a questão é que John McClane era um policial, e isso fica um pouco mais crível, aqui temos uma garota comum que de repente (mesmo tendo sido empalada no dia anterior) consegue se sobrepujar um grupo de caçadores experientes, se tornando praticamente uma especialista em armas. Coisa que seria facilmente com um pequeno detalhe de roteiro, se fosse adicionado um background de que ela tinha o costume de praticar tiro com o namorado por exemplo.
E falando nos caçadores, entramos naquilo que menos gostei do filme, pois se tem algo que me irrita são personagens burros e fazendo burrices, e aqui eles se superam em um nível que realmente me deixou irritado.
Enfim, é um filme que eu vejo como um potencial desperdiçado, é competente em vários aspectos mas falha muito em outros.
A ‘batalha” final entre os dois também é muito bem dirigida.

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