Disclosure Day
- Ano
- 2026
Logo após The Fabelmans, que é facilmente um dos melhores filmes de sua carreira, um projeto que demonstra uma maturidade cinematográfica difícil de ver em Hollywood hoje em dia, Spielberg da um salto pra trás e entrega o filme mais genérico do ano.
Sério, algumas vezes eu me pegava no meio do filme e me perguntando se isso realmente era do Spielberg, pois tem coisas aqui que chegam a ser inacreditáveis.
O filme nem pode ser definido como um “Filme de Alien”, é muito mais um thriller de espionagem, com pano de fundo as aparições alienígenas.
Mas é incrível como parece que conseguiram reunir todos os clichês dos anos 80 e 90 em um único filme.
Primeiro que temos os aliens mais genéricos do cinema, típico de uma produção barata do History Chanel, que não tem proposito algum no filme. E então vamos para toda a história em volta dos protagonistas que é completamente absurda.
Já no começo, a cena dos vilões deixando o protagonista fugir, pois ele está usando um dispositivo alien que teoricamente é super perigoso (ninguém realmente mostra esse perigo, a não ser o vilão principal que usa demais e fica com um pouco de dor de cabeça, temos até um cara usando e desaparecendo para aparecer logo em seguida, mas sem explicação nenhuma a mais), ele está completamente cercado, e mesmo que aquilo fosse uma bomba atômica, como que nenhum agente daqueles consegue simplesmente imobilizá-lo por trás ou algo do tipo? quando fica claro que a única coisa que precisa para pegar o tal dispositivo é usar uma luva de borracha dois reais.
Mas isso é apenas a primeira peripécia dos que eu chamo agentes dos trapalhões, por que não é possível que essa seja a agência responsável por proteger o maior segredo do mundo por mais de 70 anos.
Além do clichê de agentes com suas vans super tecnológicas com dezenas de monitores que não servem para nada, temos aqui provavelmente as pessoas mais mal treinadas da história.
Desde uma cena ridicula de o protagonista roubar um carro literalmente na frente deles, andar a dez por hora e ainda parar o carro para poder fazer um resgate com eles a cinco metros de distância, temos perseguição sem sentido terminando de um jeito que achei que estava vendo um filme de comédia, com os “super agentes” não conseguindo ter uma mínima ideia de dar uma olhada aos redores.
Com a personagem da Emily Blunt é ainda pior, teoricamente ela tem o poder de além de saber tudo de uma pessoa, ainda aparentar ser uma pessoa que ela ama, e com isso consegue fugir de qualquer situação.
Seria aceitável se ela não fugisse de uma base cheia de agentes em volta dela, e que eles tem a noção de que ela consegue fazer algo do tipo e que ela se transforma e conversa apenas com uma pessoa por vez. Sério, eu comecei a rir quando ela estava conversando com um agente e convencendo ele a deixá-la ir enquanto outros dez ficam parados olhando esperando a vez deles kkk.
Tudo para chegar no fim e o cara que matou e torturou por décadas para poder esconder a verdade, simplesmente sentar e aceitar tudo ser transmitido pois agora as luzes voltaram kkk, e os agentes dele que provavelmente devem ver ele como um Deus, pois não tem outra explicação, não podendo cometer a blasfêmia de desobedecer ele, simplesmente vão embora kkkk.
Chegamos então aos Aliens, que como sabemos são mais inteligentes e muito mais desenvolvidos do que nós, com tecnologia que nem sonhamos em conhecer, mas são sempre derrotados com caças e tiros de armas dos anos 70, que tem como plano maravilhoso, abduzir duas crianças, para depois de algumas décadas deles sofrendo, sendo capturados e torturados, quem sabe eles dois consigam o grande plano de pegar vídeos e transmitir na TV, já que essas tecnologias de TV são muito avançadas e eles mesmos nunca conseguiriam transmitir nada não é mesmo.
E fora o maldito clichê que sempre me deixa com raiva de o Pendrive com informações super importantes, mas que ninguém nunca faz uma misera cópia.
Enfim, quando mais eu penso nesse filme, mais raiva eu tenho, e mesmo que a história fosse fraca, como é, mas tivesse uma direção minimamente inventiva, podia salvar algo, mas Spielberg parece estar cem por cento no automático aqui, tentando passar um senso de urgência no filme que não funciona de forma alguma, usa flares constantemente que podem fazer sentido com o enredo do filme, mas são tantos que cansam e me senti assistindo um filme do J.J. Abrams.
E por mais que tivesse toda a parte de “acreditar”, “fé” e que os Ets bonzinhos fazem tudo dar certo, não me desceu de forma alguma, virou um amontoado de convenções baratas.
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