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Última Fileira crítica de cinema
Crítica

Rebobinando Memórias – Videolocadora Charada

5,0/5 Nota da Última Fileira
Ano
2026
Rebobinando Memórias - Videolocadora Charada

A nostalgia é um sentimento forte, faz com que a gente se apegue a momentos, memórias e até mesmo lugares e objetos. E sempre atrelado a ideia de algo que não volta mais.
As locadoras tiveram seu auge nos anos 90 e começo dos 2000, época em que eu estava na adolescência e já tinha um apego muito grande pela arte do cinema, por tanto, frequentar esses espaços fazia parte da minha rotina. Era comum juntar com amigos e ir na locadora escolher um filme para poder vermos juntos mais tarde, assim como tinham os filmes do fim de semana para se ver com a família. Mas a locadora era muito mais do que apenas filme, era algo quase como um espeço mágico, tanto que era comum ir lá só para ficar passeando pelos corredores e olhando aquele mundo de histórias e possibilidades em forma de filmes.
Mesmo com um certo retorno das mídias físicas, é certo que é impossível esse momento voltar, que o “uma locadora a cada esquina”, não ira acontecer novamente.
Por isso que o sentimento de nostalgia é tão forte e mistura sentimentos tão distintos. Seja a emoção de lembrar desse passado de bons momentos quanto a tristeza de saber que ele dificilmente volta.
Gilberto Petruche é um daqueles guerreiros que batalha para não deixar a parte boa da nostalgia ir embora. Dono de uma das últimas locadoras abertas no país, é fácil notar no olhar a paixão que Gilberto nutre por aquele espaço. Mesmo com as dificuldades, com a queda de público (hoje em dia as pessoas mal tem um aparelho de dvd em casa), e as contas à pagar, Gilberto batalha para que aquele lugar permaneça de pé.
E é curioso notar que umas das soluções encontradas por ele seja justamente a de transformar a locadora em um “centro cultural”, com shows, exibições e etc, afinal, o simples fato de ser uma locadora de filmes já é um grande centro cultural, uma cultura que luta para permanecer no imaginário e cotidiano das pessoas.
Outro destaque vai para a escolha inteligente do diretor Jefferson Mendes de mostrar que Gilberto é um homem de paixões, não só pela locadora e os filmes, mas pela família e pelo futebol, da mesmo forma que a paixão por ele está em todos que o conhecem e convivem com ele. Um homem simples, pai de família, e que tem uma paixão no próprio negócio. Pode parecer algo até relativamente comum, mas Gilberto se diferencia de todos pela paixão que vai além do negócio, fica claro que se a locadora é o seu motor de vida e ver pessoas batalhando tanto para manter acesso o que amam é cada vez mais raro.
Ver esse reconhecimento chegando, tanto com o sucesso dele e da locadora Charada nas redes sociais, quando aqui, neste filme é algo que enche o coração.
E temos o ciclo perfeito daquele que ama filmes, ter sua vida contada em um. E para mim, sobra a esperança de um dia poder alugar o “filme do Gilberto” em uma locadora um dia…

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