Obsession
- Ano
- 2025
- Gênero
- Terror
Obsession é a prova de que o cinema atual não precisa ser mirabolante para poder ser inovador. E o inovador não é nem questão de quanto a história é inovadora, mas de como essa história é contada.
Curry Barker faz dos poucos recursos que tinha quase uma ferramenta narrativa. Com planos bem elaborados, com uso inteligente da profundidade de campo por exemplo, consegue deixar sempre o semblante de Nikki ao fundo, se tornando uma presença assustadora e constante na vida de Bear.
O filme fala sobre vários temas, como relacionamentos abusivos e o quão pode ser problemático um relacionamento onde nos apaixonamos pela ideia de que temos de uma pessoa e não por quem ela realmente é.
Mas um dos pontos mais interessantes pra mim no filme é como o protagonista vai na contramão de um protagonista típico de filme de terror, pois mesmo ele sendo quem é assombrado pela Nikki possuída, ainda assim me via torcendo contra o personagem o tempo todo do filme. Bear é um covarde, um covarde que não tem coragem de se declarar, não tem coragem de agir em nada que ele acredite que possa prejudicá-lo, mesmo que isso implique em uma situação em que ele seja o responsável por causar mal a alguém.
Bear não podia imaginar que o pedido que fez se tornaria realidade. Mas logo fica claro que aquela não era Nikki, que ela estava sofrendo com tudo aquilo, presa no próprio corpo. Chegando na emblemática cena em que em um momento de volta ao próprio corpo, Nikki deseja que Bear a mate de uma vez e a única reação de Bear é pensar em si mesmo. Já que para ele é inconcebível ser tão ruim alguém ficar com ele.
Dali pra frente, com Bear tendo plena consciência de que aquela não é Nikki, mesmo ela ainda estando ali, sofrendo e optando por continuar naquela situação, ele se torna um dos protagonistas mais desprezíveis que já vi.
E o melhor é que isso é muito com para o filme, pois ficamos nessa encruzilhada de que de um lado temos alguém sendo aterrorizado por alguém possuído e perigoso, do outro temos um personagem que não merece o mínimo de afeto e então ficamos o filme divididos com as situações de medo e terror e também com raiva do protagonista.
Destaque absoluto do filme vai para Inde Navarrette, que faz uma atuação que toma o filme para si. Suas expressões vão começando a se intensificar à medida que o filme passa, e quando um ator consegue passar terror apenas com suas expressões, sem depender de jumps scares ou nada do tipo, mostra a força que tem.
Acho que a última vez que fiquei tão impressionado com uma atuação feminina em um filme de terror foi com Toni Collette em Hereditário.
Por fim, deixo minha admiração por tudo que Curry Barker fez em seu primeiro longa, assim como disse no começo, é possível identificar que ele não é um daqueles casos em que um diretor promissor de terror tem um debut interessante mas logo se perde. É fácil notar que ele sabe o que está fazendo e tem total controle de sua cena. O uso de sombras aqui é das melhores coisas que vi esse ano.
Que venha muitos outros projetos desse diretor…
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