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Última Fileira crítica de cinema
Crítica · Drama, Romance

Paris, Texas

5,0/5

Um filme que me impactou profundamente, um trabalho complexo sobre estudo de personagens e que apesar de seus quase 40 anos continua super atual.
Na minha lista de “Vergonhas cinéfilas”, estava o fato de nunca ter assistido nenhum filme de Wim Wenders, comecei logo por este, que talvez seja seu trabalho mais famoso, e que começo.
É muito bom essa sensação de ser completamente impactado por uma obra, e neste filme é difícil isso não acontecer, nem que seja pelos seus planos belíssimos.
O filme é uma mistura que road movie com estudo de personagem. Um homem, interpretado magistralmente por Harry Dean Stanton, vaga sem rumo no deserto, seu destino é incerto, e o que vemos a seguir no filme é a sua completa reconstrução como pessoa. É como se o personagem renascesse, chegando a mesmo citar que quer ir para o local onde foi concebido. Vemos então, um homem incapaz de falar, em uma progressão até se tornar um pai.
E essa desconstrução do personagem é um dos grandes mistérios do filme, ficando sempre a pergunta de “por que ele acabou assim?”. E no fim, você entende por completo o que aconteceu e todas as ações do personagem, em um roteiro muito bem amarrado e uma excelente construção de personagem.
Tecnicamente, o filme é um primor, além dos planos muito bem escolhidos, que ajudam até mesmo a mostrar o vazio do personagem, o que mais me surpreendeu no filme é seu uso de cores.
O personagem começa o filme usando um chapeu vermelho, e essa cor está sempre presente no filme, sem falar muitos spoilers, é interessante reparar como a partir do momento que seu filho passa a realmente a aceitá-lo como pai, também começa a usar vermelho. Assim como o personagem finalmente busca quem procura, imerge em “um mundo vermelho”.
E por fim, o que falar da construção fabulosa das cenas finais, quando finalmente temos a interação dos dois personagens. A atriz que faz Jane, também é ótima. Com pouco tempo de tela, consegue ter uma presença super marcante no filme.
E toda a cena é muito bem trabalhada, desde o uso de cores, ângulos, trilha, o que representa (Jane é sempre vista presa em uma “caixa”), e o maravilhoso trabalho de ambos os atores, faz o filme alcançar o seu auge.

5,0/5
Nota do Última Fileira
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