“i can’t exist by myself because i’m afraid of myself, because i’m the maker of my own evil.”
Um filme sobre divórcio e surtos, muitos surtos…
Em Possession, Andrzej Żuławski cria toda uma ambientação de loucura e inquietação que vai crescendo conforme a história vai decorrendo até chegar em um nível que transforma para este em um dos grandes filmes sobre surto e loucura.
O filme tem vários temas interessantes, desde o político (o muro de Berlim e a vigilância constante), ao principal que é o como um divórcio pode destruir as pessoas mentalmente, principalmente quando se tem criança envolvida (que também é afetada de diversas formas, principalmente pelos pesadelos constantes).
A personagem principal, Anna, (Isabelle Adjani em uma atuação incrível), vai aos poucos perdendo a sanidade, ao mesmo tempo que vai se abrindo por completo, mostrando que nós somos seres complexos, cometemos erros e temos desejos e vontades que nos guiam.
O Marido passa um longo período fora, e ela mesmo fala que o traiu pois não gosta de ficar só, gosta de se sentir amada, que queria ter a liberdade de ser quem ela realmente é, o que o marido não aceita, pois esse quer uma esposa certinha, que arrume a casa, cozinhe e seja sua companheira exclusiva.
Ela pela pressão de tudo ao seu redor, começa a perder a sanidade e é interessante notar como essa loucura parece uma doença que vai se espalhando e contaminando todos ao seu redor.
E então entramos naquele que é o ponto que mais gosto do filme, que é a idealização do outro como o ser perfeito que queremos, não quem ele é realmente, mas quem gostaríamos que ele fosse.
Vejo a aparição do monstro como algo que pode ter várias interpretações, até uma invasão alienígena é válida (principalmente por causa do final), mas para mim o ponto principal aqui é essa idealização do outro que é tão forte que dá vida a uma criatura, um duplo que vai se alimentando das vontades de Anna e de outros homens que ela destrói. A criatura representa tudo que Anna deseja em seu companheiro, alguém que a apoie incondicionalmente, alguém que vire a noite inteira fazendo sexo com ela…
Enquanto isso Mark, seu marido, ao começar a perder a esposa, começa a idealizá-la na forma de professora do seu filho. Helen é tudo o que Mark deseja, calma, tranquila, sempre concorda com ele, limpa a casa o tempo todo, cuida do seu filho e etc. A esposa perfeita, sua idealização de esposa é tudo o que ele quer, mas não é nada do que Anna realmente é.
E essa separação de o que somos e o que o outro deseja que sejamos é que toma conta da mente dos personagens, os levando a loucura e destruição. No fim, só a morte pode acabar com tudo, o mundo pode acabar mas aqueles dois seres perfeitamente idealizados que tomaram forma, nunca vão se encontrar.
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