Ciência e Religião, poderiam se juntar para salvar o mundo?
Religião e Humanidade
Um questionamento interessante feito pelo Carpenter em Prince of darkness é justamente se esse que é um embate comum (fê x ciência), não poderia ser subvertido e colocado como solução para os males do mundo.
Com um conceito diferente de Demônio, onde não segue o padrão comum da religião cristã, mas seguindo o conceito de física de matéria e antimatéria, se questionando: E se existisse um “Anti-Deus”? Aqui reforçado de forma bastante interessante, pelo uso dos espelhos “o reflexo do mundo” e como acesso ao “outro mundo”.
O conceito de uma fonte do mal, que influencia as pessoas próximas, a tornando seres zumbificados é interessante, e no próprio filme fica como se a igreja escondesse isso pois não quer tirar a ideia do mundo, que o homem é o centro de tudo.
Fica o questionamento: e se o ser humano não for mal, mas influenciado a ser? Pelo ambiente, pelas pessoas e por tudo o que o cerca. O mundo tem maldade e ela é como um vírus infectando e passando de um para outro. E se o que vemos refletidos no espelho, for outra versão nossa, com um mal escondido, esperando apenas um chamado para se libertar…
Impedir esse seu outro eu de ser liberado, requer um sacrifício, fazendo muitas vezes você ficar preso em um limbo sem saber se está realmente vivo.
A ideia de que o ser humano do futuro manda uma mensagem por meio de sonhos para o passado, com o objetivo de impedir a destruição da humanidade é um dos itens que mais me chamou a atenção no filme (gosto muito também de os sonhos serem filmados como se fossem uma câmera amadora).
E se pudéssemos salvar a humanidade com uma mensagem para o passado, o que mandaríamos? Carpenter deixa o questionamento que mesmo com o “sucesso” do grupo em impedir o mal de ganhar, deixa claro que ele está sempre à espreita, apenas esperando ser libertado, e que a destruição da humanidade está a um passo.
Questionamentos científicos e filosóficos a parte (que eu nem mesmo concordo, mas acho interessantes), temos um ótimo trabalho naquilo que Carpenter sabe fazer de melhor e o que o torna um dos grandes mestres do terror: A ambientação.
A igreja, com sempre uma imagem de Jesus ou um crucifixo ao fundo do plano (às vezes vários em uma única parede) e que ao mesmo tempo está rodeada do mal, como se estivesse sempre ao fundo uma luta constante, de bem x mal.
E principalmente a trilha sonora, feita pelo próprio Carpenter e Alan Howarth, o compositor que lhe acompanhou em diversos trabalhos, que aqui, para mim, alcançam seu ápice de qualidade. Talvez a melhor trilha de terror que já ouvi. Desde o começo do filme, ela está lá, apenas aumentando sua presença, assim como o mal representado no filme.
Uma grata surpresa que do Carpenter que ainda não tinha visto e já é para mim um dos melhores dele.
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