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Última Fileira crítica de cinema
Crítica

The Match Factory Girl

4,0/5 Nota da Última Fileira
Ano
1990
The Match Factory Girl

A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos é um filme sobre Iris, uma trabalhadora de chão de fábrica, que vive um vida que se resume a uma rotina cansativa e aqui Aki Kaurismäki deixa claro desde o começo do filme como ela é só mais uma peça naquelas engrenagens. Ela demora a aparecer, sendo o foco inicial todo o funcionamento da fábrica de caixas de fósforo.
E fiquei me questionando logo após o fim do filme, o por que especificamente uma fábrica de caixa de fósforos. Mas pra mim ficou claro como Iris é apenas mais um fósforo, que não se destaca, que logo vai ser queimado, usado e jogado fora.
Iris vive com sua mãe e seu padrasto, pais esses que a tratam como uma empregada, ela cozinha, limpa, passa e faz tudo para eles. Assim como é a responsável pelo pagamento do aluguel da casa onde moram.
Apesar de todas as dificuldades, Iris tenta viver uma vida, vai em bares espera ansiosa para ser chamada para dançar, mas isso nunca acontece, afinal, ela é só mais um fósforo que não se destaca.
Iris decide então com o próximo salário que recebe, comprar um vestido vermelho, vestido esse que vai boa parte de seu salário, e ao exibir feliz a nova aquisição aos pais é logo rechaçada, pois era o dinheiro para pagar o aluguel. O padrasto chega a xingá-la de vagabunda e lhe dá um tapa na cara.
Mesmo instruída a devolver o vestido, Iris decide usá-lo e voltar a ir ao bar na esperança que alguém a agora a note.
E isso acontece, ela consegue se aproximar de um homem que a rapidamente a nota. Eles vão para casa dele e dormem junto. Esse homem é um homem com um padrão de vida totalmente distinto do de Iris, mora em um belo apartamento, se veste bem e etc.
Mas assim que saí pela manha, deixa dinheiro para ela e vai embora.
Iris ainda está extasiada com tudo o que aconteceu, mas logo descobre que aquele homem não quer nada com ela, ele de forma fria e dolorosa, afirma que não tem nada e nem sente nada por ela.
Após essa desilusão, essa situação piora quando Iris descobre que acabou engravidando deste homem.
As coisas então só pioram para Iris, que sempre tem esperança que pelo menos seu filho tenha um pai e que quem sabe ela possa ter uma vida e ser realmente alguém e não só mais uma peça na engrenagem.
Mas ela acaba sendo expulsa de casa pelos pais, o homem pede então que ela tire a criança, e tudo demonstra como parece que ninguém tem afeto por aquela garota.
É então que temos a grande virada do filme quando Iris decide comprar veneno de rato. É interessante como em um primeiro momento ficamos aflitos achando que ela decidiu tirar a própria vida. Mas logo ela se mostra decidida a se vingar de todos os que tornam sua vida tão miserável.
Ela envenena o pai da criança, os pais dela, e até um cara aleatório que deu em cima dela no bar.
Iris decidiu agir, foi tomada pela raiva mas logo após executar toda sua vingança volta para seu trabalho na fábrica e temos o final que acho das melhores coisas do filme, pois Iris é presa e não tem reação alguma, e os policiais a tiram da fábrica e Aki Kaurismäki não move sua câmera, mostra como aquele ambiente se mantem o mesmo, não vemos uma única reação, apenas as máquinas e trabalhadores continuando seu trabalho.
Afinal, Iris é invisível, só uma peça pequena que foi retirada e logo vai ser substituída.
P.s: Como as músicas desse filme são boas, algumas bregas, mas bem divertidas e é interessante como sempre a letra acrescenta algo a mais na cena em que se passa.

Diogo Silva
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